A adaptação escolar do meu filho trouxe à tona algo que sempre me acompanha desde que me tornei mãe solo: a sensação constante de que talvez eu nunca esteja fazendo o suficiente.
Depois de cinco anos na mesma escola, percebi que precisávamos de mudanças — eu e ele. Não foi uma decisão impulsiva. Foi daquelas que a gente amadurece em silêncio, pensando no presente e no futuro.
E cá estamos, indo para a terceira semana.
Ele adorou as professoras, as novidades, as coisas novas que está aprendendo. Já fez novos amigos, graças a Deus. Ver o sorriso dele me dá a certeza de que a mudança fez sentido.
Mas existe um detalhe que tem pesado no meu coração.
Eu chego depois das 18h20.
E, em alguns dias, ele foi um dos últimos — ou o último — a ir embora.
Na primeira semana, isso aconteceu algumas vezes. Ele ficou bravo comigo e com as professoras. Chorou. Disse que eu era a única mãe que atrasava para buscar.
E naquele momento, a culpa encontrou espaço.
Desde que a maternidade solo se tornou minha realidade, essa pergunta me acompanha quase todos os dias:
Será que estou fazendo tudo certo?
Será que isso é suficiente para o meu filho?
Eu não sei como é por aí, mas eu só tenho conseguido atravessar essas questões com o auxílio da minha psicóloga. Sem a terapia, talvez eu tivesse me afundado na sensação de ser a pior mãe do mundo nesses dias em que cheguei mais tarde.
É curioso como aquela frase faz sentido: nasce uma mãe, nasce uma culpa.
A gente se culpa quando eles choram.
Quando ficam bravos.
Quando sentem fome.
Quando precisam esperar.
Mesmo sabendo racionalmente que estou fazendo o meu melhor, senti culpa por não conseguir buscá-lo antes na escola. Culpa por precisar chegar em casa e ainda terminar o trabalho, porque saí correndo sem finalizar tudo.
Ser mãe solo é desafiador — pelo menos por aqui.
Com o tempo, e com ele crescendo, algumas situações ficam mais leves. Ou talvez eu esteja aprendendo a não me cobrar tanto. Pode ser isso também.
Mas uma coisa eu sei: é preciso muito amor próprio, paciência e, no meu caso, terapia.
E por aí, como a culpa aparece na sua maternidade?