Quando fiquei grávida, o que eu mais pedia a Deus era a chance de poder amamentar o meu bebê, porque a grande frustração da minha mãe foi não ter leite suficiente para mim e para o meu irmão.

Graças a Deus, eu tive muito leite — tanto que até vazava. Todos os dias eu agradecia, porque sei que essa não é a realidade para muitas mamães e que muitas se culpam por isso. Se você estiver passando por essa situação, saiba que eu fui uma bebê que tomou fórmula e sou super saudável. Sei que isso não vai aliviar totalmente a dor, mas talvez possa ao menos amenizar um pouco esse sentimento.

Tive muita dificuldade no início, porque eu não tinha aprendido os macetes para uma boa pega. Além disso, a primeira pediatra por quem passamos era péssima. Ela me fez sentir a pior mãe do mundo ao dizer que meu filho não estava com o peso ideal e que eu teria que amamentá-lo de duas em duas horas até que ele ganhasse peso.

Isso acabou desregulando completamente o sono dele, e ele só foi dormir a noite inteira quando fez três anos. Foram anos de madrugadas chorando de cansaço, me sentindo muito sozinha (maternidade solo por aqui), dias em que eu só queria dormir e ele pedia o peito.

No final do primeiro mês, uma enfermeira me ensinou alguns truques: massagear o seio quando estivesse duro por causa do leite empedrado, tirar um pouco com a bombinha até o peito ficar mais molinho — assim a pega ficava muito mais tranquila. E realmente funcionou.

Ela também me ensinou como tirá-lo do peito: com o dedinho, eu colocava no canto da boca dele até encontrar a língua e quebrar o efeito de vácuo que eles fazem quando estão sugando. Mesmo dormindo, ele não largava o peito. Rsrs.

Amamentei em livre demanda até o dia em que ele fez quatro anos e resolveu que não queria mais. Na semana seguinte ele pediu novamente e eu disse que já não tinha mais leite — o que foi uma pequena mentira, porque meu leite só foi secar dois anos depois.

Sempre achei curioso e maravilhoso como Deus fez do peito um verdadeiro colinho acolhedor para o meu filho. Explico: quando ele chorava, eu sentia automaticamente o meu peito produzir leite e inchar. Eu chegava a ouvir o barulhinho do leite enchendo e, quando pressionava o seio, um pouco de leite vazava.

Hoje percebo que demorei para tirá-lo do peito porque ele não aceitava muito bem a comida. Ele foi diagnosticado com inflexibilidade alimentar e faz acompanhamento com uma nutricionista maravilhosa desde os dois aninhos. Eu via na amamentação uma forma de alimentá-lo — e também de acalmá-lo.

Confesso que, às vezes, sinto vontade de oferecer o peito quando ele chora sentido. No lugar, eu ofereço colo e ensino outras formas de se acalmar… mas sinto saudades de quando tudo parecia mais “fácil”.

E por aí? Você amamentou ou está vivendo esse processo agora?