Quando fiquei grávida, passava todas as noites com o meu bebê na barriga, só nós dois — o pai dele, na época, trabalhava de madrugada.

Meu filho nasceu e continuamos dormindo na mesma cama. Como fiz cesárea e não tinha apoio durante as madrugadas, optei por deixá-lo comigo para facilitar.

Então vieram a traição, a pandemia, a separação e a volta para a casa dos meus pais. Seguimos compartilhando a cama. Ele sempre mamou muito e em livre demanda, então eu passava noites em claro amamentando.

Quando nos mudamos para a nossa nova casa, preparei o quarto dele com uma cama de carro, na esperança de incentivá-lo a dormir no próprio quarto. Como ele também passou a dormir na casa do pai, era importante que se acostumasse a dormir sozinho.

Por um tempo, deu certo. Mas eu precisava ficar ao lado dele até adormecer e, no meio da madrugada, ele sempre acabava vindo para o meu quarto. Quando ficava doente e ainda mamava, voltava para a minha cama. Passei muitas madrugadas fazendo inalação enquanto ele dormia e colocando compressas de água para aliviar a febre.

Foi então que ouvi de uma grande amiga algo que mudou completamente a minha forma de enxergar essa fase. Ela me disse: “Li, deixe ele dormir na sua cama pelo tempo que ele sentir que precisa. Você já viu algum jovem dormir com a mãe? Essa fase passa muito rápido, e logo ele vai querer o próprio canto. Não se culpe por isso.”

Desde então, compartilhamos a cama sem o peso da culpa. Ele usa minha barriga como travesseiro e dorme profundamente, colado em mim. E, sejamos sinceras, eu fico com uma pequena parcela da cama, porque o restante pertence a ele e às pelúcias dele — seus “filhos”, como ele carinhosamente diz.

Aprendi a me libertar dos julgamentos. Já ouvi muitas opiniões sobre o que eu deveria ou não fazer, sobre como deveria agir. Mas, no fim das contas, sempre haverá alguém disposto a julgar a vida alheia em vez de cuidar da própria.

Além disso, diversos estudos mostram que a cama compartilhada pode trazer benefícios. Um estudo que acompanhou 205 famílias ao longo de 18 anos concluiu que a prática não foi associada a consequências problemáticas, nem aos 6, nem aos 18 anos.* Nada de dependência, dificuldades emocionais ou atrasos no desenvolvimento.

Outro estudo apontou que crianças que dividiram a cama com os pais demonstraram maior autonomia nas tarefas do dia a dia e mais independência social do que aquelas que sempre dormiram sozinhas.**

Não sei como é por aí, mas, aqui, não existem julgamentos sobre onde uma criança deve dormir. A única certeza que tenho é que sentirei falta dos pés no meu rosto, da cabeça na minha barriga e da mãozinha segurando a minha quando ele decidir dormir sozinho. ♥

*Okami, P., Weisner, T., & Olmstead, R. (2002). Outcome Correlates of Parent-Child Bedsharing: An Eighteen-Year Longitudinal Study.
**Mileva-Seitz, V. R. et al. (2004). Co-sleeping: Help or Hindrance for Children’s Independence?